domingo, 14 de agosto de 2011

Grevistas Reivindicam seus Direitos ao Governador Antônio Anastasia (PSDB) Durante sua Visita a Patrocínio (MG)

O governador Anastasia esteve em Patrocínio neste dia 12 de Agosto e foi recepcionado pelos trabalhadores em educação de Patrocínio, Coromandel e Monte Carmelo que se encontram em greve desde o dia 08 de Junho, totalizando 64 dias de greve. Os Educadores estão em greve porque o governo de Minas Gerais não quer cumprir a lei e pagar o piso salarial de R$ 1597,87, por uma jornada de 24 horas. Minas Gerais paga o pior piso do Brasil, R$369,00, menos que um salário mínimo.

O governador que iria realizar inaugurações em espaço aberto preferiu, acreditamos por não querer enfrentar a manifestação popular como foi no ano de 2010, realizar esses eventos em local fechado, no Catiguá Ténis Clube. Contudo, os professores estavam presentes em frente o clube e lá se fizeram ouvir pela população patrocinense e também, é claro, pelo próprio governador quando este chegou ao clube.

As mais variadas “ditas autoridades”, foram almoçar com o governador Anastasia. Nenhum destes foi poupado pelos grevistas que estavam realizando a manifestação, pois em todo o estado as “autoridades” são coniventes com o governador em não pagar o piso nacional. No municipio, o prefeito e seus secretários tiveram que ouvir a verdade também a respeito da lei do piso, pois em Patrocínio esta lei também não é obedecida.

A carga horária de um professor em Patrocínio é de 25 horas sendo 24 horas em sala, isto é ilegal, pois a lei nacional do piso determina que 1/3 das aulas deve ser em atividades extraclasse. Sendo assim, por um cargo de 25 horas, de acordo com a lei nacional do piso, aqui em Patrocínio o professor deveria ministrar no máximo 17 aulas, sendo 8 horas destinadas a planejamento.

Não podemos esquecer de mencionar o episódio protagonizado pelo superintendente Professor João Marques, que chamou os diretores das escolas estaduais para uma reunião onde o superintendente exigiu que os mesmos ameaçassem os professores que estavam dispostos a aderirem à greve e somar forças na manifestação com demissão. Estamos em uma greve legítima e esta atitude do superintendente nada mais foi do que atender aos mandos do governador, contudo esta atitude se caracteriza como assédio moral e o superintendente terá que responder judicialmente por tal atitude.

Senhor superintendente João Marques, não se esqueça que quando a justiça lhe convocar o governador não estará presente e se o senhor solicitar sua presença ele negará que lhe conhece e dirá que esta atitude foi tomada por sua livre e espontânea vontade.


Os professores lutam até a vitória.
SindUTE Subsede Patrocínio
Coordenador – Professor Gilberto José de Melo
CSP-Conlutas - Central Sindical e Popular

sábado, 13 de agosto de 2011

EM DEFESA DE NOSSA GREVE

Anastasia e Ana Gazola, em mais uma tentativa desesperada, autorizou as escolas a contratarem professores para dar aulas para o Ensino Médio, esta decisão que já era de conhecimento de todos durante a nossa última assembleia começou a ser praticada pelas superintendências regionais. Em diversos pontos do Estado foi feito piquetes para impedir a contratação destes "fura-greves". Porém, em alguns locais houve contratações. Na maioria são professores que não tem a formação devida ou que ainda não tem nenhuma experiencia profissional. O pior não é isto, é que estes professores terão contrato garantido até o fim do ano. E eles ficarão na escola para substituir professores que faltarem ou outras funções definidas pela direção da escola, sabe-se lá qual.
O governo mineiro com esta medida meramente populista e ilegal desrespeita mais uma vez a nossa luta. Ao invés de pagar o piso que reivindicamos contrata professores. Ele não dizia que não tinha dinheiro para nos pagar? de onde veio o dinheiro para pagar estes professores?

Não podemos aceitar esta medida. Temos que continuar a nossa luta em defesa da valorização da Educação. Não lutamos somente por salário. Lutamos por uma Educação Publica, gratuita e de qualidade, sabemos bem que ao contrário do que diz a propaganda oficial mineira a Educação aqui vai mal. E só não acabou de vez pela nossa dedicação, que muitas vezes tiramos dinheiro do nosso bolso para comprar materiais que deveria vir do governo. Nas escolas falta tudo, somente não falta a nossa abnegação. E agora que lutamos ele nos criminaliza.

Porém a direção do SindUTE tem que ser mais ousada. Por este motivo temos que tomar medidas mais drásticas. Temos que impedir a contratação destes professores e temos que radicalizar o nosso movimento fazendo nossa Greve crescer e colocar nas ruas que lutamos não somente por salário e sim por uma Educação Melhor para os filhos da Classe Trabalhadora.

Por isto todos a Assembleia do dia 16 de agosto, as 14 horas na Praça da Assembleia Legislativa.

Falas do Movimento Educação em Luta na ultima assembleia

Gustavo Olimpio


Gilbert Duarte



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Não há vagas (...). E o salário do Professor não cabe no poema.


Depois de quase 60 dias em greve, acordo com a seguinte manchete no Estado de Minas: Associação quer ação contra greve dos professores. Logo me lembrei da poesia de Ferreira Gullar o preço do feijão não cabe no poema, o preço do arroz não cabe no poema, não cabem no poema o gás, a luz o telefone, a sonegação do leite, da carne, do açúcar, do pão (...).
Primeiramente, vale ressaltar aqui aos dirigentes da FAPAEMG-Federação das Associações de Pais e Alunos do Estado de Minas Gerais que a greve não é só dos professores, mas sim de todos os trabalhadores em educação das escolas estaduais de Minas Gerais, que fazem parte do processo educacional, e essa categoria é bastante ampla, abrangendo professores, pedagogos, secretárias, merendeiras e tantos outros, os quais têm salários ínfimos e também são pais de alunos que, em sua maioria, estudam em escolas públicas; os trabalhadores em educação também não têm como ficarem próximos a seus filhos, pois se submetem a cargas horárias exaustivas para sobreviverem.
Nesse sentido, como professora de História, sinto-me no dever de fazer uma reflexão sobre o que é educação, para tentarmos entender o porquê de os governos não valorizarem os profissionais em Educação, e muito menos os educandos deste país.
Penso também no papel das associações de pais e alunos, que argumentaram com o Ministério Público de forma errônea e descontextualizada da importância de uma Educação de qualidade.
O fato é que: a Fapaemg recorreu à Promotoria da Infância e da Juventude na esperança de que uma medida judicial pusesse fim à greve dos Educadores, com o argumento de fazer valer o preceito constitucional de que toda criança deve estar na escola e que estas têm direito a 800 horas de aula, distribuídas em 200 dias letivos.
O que posso afirmar aqui é que cabe, sim, ao Ministério público obrigar o Estado a garantir uma educação pública de qualidade, bem como garantir o pagamento do piso salarial nacional dos profissionais em Educação, já que o Ministério Público é o guardião da Lei e do Interesse Público, e essa lei foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
O que me espanta é que os argumentos utilizados pela Associação não se baseiam em estatísticas. Nesse sentido, a quem interessa essa reclamação?
A Fapaemg argumenta ao Ministério Público que é “notável o aumento no atendimento de crianças e adolescentes em hospitais e postos de saúde da capital, pois muitos menores, fora da escola, estão mais vulneráveis a acidentes domésticos, ao uso de drogas e até a prostituição”. “A sociedade está perdendo muito. Muitas dessas crianças não vão voltar para a escola e estão fadadas a entrar nas estatísticas policiais e a virar notícia como vítimas ou autores de crimes violentos”, argumenta o representante dos pais e alunos, lembrando que muitos menores carentes vão à escola para se alimentar”. (Fonte: Jornal Estado de Minas do dia 06.08.2011-in www.em.com.br)
Nesse sentido, ficam os meus questionamentos sobre o papel real da Educação, sobre o dever do Estado e o que se espera da Justiça Mineira. O que consigo visualizar é uma mudança de valores sobre a finalidade da Educação Pública.
O que se apresentou na manchete do jornal é que o Promotor responsável em conciliar professores, Estado e pais de alunos, para que a greve chegue ao fim, analisou preliminarmente que: “A escola serve se ensina; se não ensina, não serve”.
A Fapaemg argumenta, ainda, que considera a greve uma “covardia social” no que diz respeito aos alunos que irão prestar vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano de 2011.
Na verdade, caros, pais a questão é que os governos sempre demonstraram um descaso para com os educadores e também para com os alunos e pais de alunos em todo o processo educacional. O problema da violência, da pobreza, das drogas não é algo de responsabilidade do professor, que, na maioria das vezes leciona em condições precárias, tornando-se vítima dessa situação, que envolve as áreas de Justiça, Assistência Social e Segurança Pública, sobre as quais o professor não tem qualquer domínio.
Sabemos que a sociedade vem sofrendo transformações e a escola continua atrasada, por culpa exclusiva do Estado, que nunca levou a sério a educação recebida pelos filhos das classes trabalhadoras, pois o que é fato notório é que a escola pública não recebe os filhos das famílias mais abastadas desse país e muito menos filhos de políticos e, certamente, por isso, a escola não é valorizada, muito menos os profissionais que trabalham nela.
O que observamos no nosso dia a dia escolar é que a família, núcleo primordial de educação, tem delegado esse papel para a escola, já que os pais precisam trababalhar e necessitam de um lugar para deixar os seus filhos.
Não se pode exigir que os profesores, além de ensinarem os conteúdos programáticos exigidos pelo Ministério da Educação, tenham também que exercer a função educativa que compete aos pais. Por isso, a argumentação expendida pela FAPAEMG é incorreta, demonstrando clara inversão de valores sobre o papel da escola e do legítimo responsável por seu funcionamento, que é o Estado.
Toda a sociedade democrática é responsável pela formacão das crianças e jovens desse país, mas não podemos eximir o governo da obrigação de garantir os direitos dos trabalhadores em Educação a um salário digno e a condições de trabalho salubres e seguras, pois verificamos o adoecimento dos integrantes da categoría.
Somos conscientes de que os problemas da fome e da violência existem, mas não se pode atribuir aos trabalhadores da Educação uma responsabilidade que cabe à União, aos Estados e Municípios, que têm recursos para resolvê-los, mas que nunca sobram.
Onde está sendo investido ese dinheiro? O Ministério Público tem o papel de investigar.
O fenômeno da violência é muito amplo e surge em variadíssimos contextos e não somos nós profesores os redentores da escola, muito menos porque não podemos e não temos como ser. Não iremos pagar esse preço, que não é da nossa responsabilidade.
Terminando este texto, quero dizer que todos somos vítimas dos antigos e do atual governo, inclusive os trabalhadores em educação, os alunos e os pais e continuo recitando tristemente o poema de Ferreira Gullar, que pode ecoar até ao Ministério Público, para que os promotores reflitam:
O funcionário público não cabe no poema, com seu salário de fome, sua vida fechada em arquivos. Como não cabe no poema o operário que esmerila seu dia de aço e carvão nas oficinas escuras, porque o poema, senhores, está fechado: “não há vagas” Só cabe no poema o homem sem estômago, a mulher de nuvens, a fruta sem preço O poema, senhores, não fede nem cheira. E agora: o aluno e o professor cabem no poema?
Lídice Gomes Pimenta da Silva Pereira/Governador Valadares MG.

sábado, 6 de agosto de 2011

A GREVE CONTINUA. TODOS A ASSEMBLEIA DO DIA 09 - TERÇA FEIRA


O Governo Anastasia em uma tentativa de nos desmobilizar ampliou seus ataques. Impôs o corte de ponto, se utiliza da mídia, tudo na tentativa de destruir a nossa Greve, sua real intenção é destruir qualquer organização dos trabalhadores. O governo mineiro criminaliza os movimentos sociais.

Cerca de 85 mil trabalhadores em Educação não aceitaram o subsidio. Isto significa que o Subsidio não foi aceito por nossa categoria. A resposta é de que queremos um  piso salarial de verdade e não a fantasia do subsidio, que destrói a nossa carreira e não nos garante direito nenhum.

O Piso Salarial Nacional da Educação, que teve sua constitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, é absolutamente insuficiente. O seu valor é bem abaixo da reivindicação da categoria, além disso, a jornada de referência é de 40h, o que abre brecha para os governos estaduais e municipais aplicarem valores proporcionais quando as jornadas de trabalho são diferenciadas. Por isso temos que exigir do governo Dilma que altere a lei do piso corrigindo o seu valor imediatamente para R$1597,87, rumo ao piso do DIEESE; que este valor seja para uma jornada de 20h e que fique claro que o piso é para todos os trabalhadores em educação.

A falha do governo federal não ameniza o cinismo do governador de Minas, que não paga sequer os valores rebaixados da lei federal. O estado de Minas Gerais é o 39 mais rico da federação e paga o pior piso para o magistério. Anastasia deu um golpe em nossa categoria ao instituir a lei do subsídio que destrói a carreira da educação. Piso e carreira são bandeiras que andam juntas, uma não pode ser descolada da outra.

Foi um erro da diretoria do Sind-Ute não ter se enfrentado com a lei do subsídio em 2010, assim como foi a negociação do plano de carreira em 2003. Neste momento é  responsabilidade da diretoria conduzir a categoria na luta não só pela conquista do piso, mas também pela revogação da lei do subsídio e pela reconstrução de nossa carreira. Sabemos que não é uma tarefa fácil, mas ela é necessária. Propomos que a o Sind-Ute convoque todas as centrais sindicais e demais movimento sociais para que formem uma frente de defesa da educação e que sejam ativos na exigência de que o governo abra negociações e atenda nossas reivindicações.

Também é fundamental que os parlamentares do bloco de oposição continuem obstruindo a pauta da Assembléia Legislativa.

Exigimos:

R$ 1597.87 JÁ. PARA 24 HORAS DE TRABALHO. RUMO AO PISO DO DIEESE!
PELA RECONSTRUÇÃO DE NOSSA CARREIRA
REVOGAÇÃO DA LEI DO SUBSIDIO

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Pesquisa do Dieese aponta que salário mínimo deveria ser R$ 2.212,66

O brasileiro precisaria de um salário mínimo no valor de R$ 2.212,66 em junho para conseguir arcar com suas despesas básicas, de acordo com dados divulgados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) nesta quinta (4).

A entidade verificou que são necessárias 4,06 vezes o valor do salário mínimo para suprir as demandas do trabalhador. O cálculo foi feito com base no mínimo de R$ 545, em vigor.

Em junho, o valor necessário para suprir as necessidades mínimas do trabalhador era de R$ 2.297,51, sendo 4,22 vezes maior ao salário mínimo.

O salário mínimo necessário é o que segue o preceito constitucional de atender às necessidades vitais do cidadão e de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, sendo reajustado periodicamente para preservar o poder de compra.

Cesta versus salário
No mês passado, o comprometimento da renda com os gastos da cesta básica alcançava, em média, 46,38% do salário mínimo em julho, ante os 47,47% necessários em junho.

Retirado do blog: http://educacaocomlutas.blogspot.com/

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A GREVE CONTINUA!!!

Educadores decidem: a greve continua, até que o governo pague o piso!



Por Professor Euler Conrado


Assim que a assembléia teve início, já se percebia um número bastante razoável de educadores. No momento mais alto da assembleia, quando houve a votação unânime pela continuidade da greve, registrei visualmente no mínimo umas 7 ou 8 mil pessoas. Todo o pátio estava tomado, além da escadaria. Só neste espaço da escadaria devia ter mais do que os 800 educadores que a Globo disse que havia na assembleia. Até a polícia, que geralmente joga estes cálculos muito para baixo, considerou que na passeata havia em torno de 1,2 mil trabalhadores da Educação. Mas, basta ver qualquer foto que mostre de forma mais ampla o cenário da assembleia e da passeata para percebermos que nada menos que 7, 8 ou até 9 mil lutadores estavam ali reunidos.


Durante a assembleia, enquanto os informes eram dados, tive a alegria de conhecer e conversar com muitos combativos colegas do Interior de Minas, das mais diferentes regiões, que visitam nosso blog com frequência. Não vou correr o risco de citar os nomes das cidades e das pessoas porque poderia cometer a indelicadeza de esquecer de alguns. Mas, quem se encontrou comigo sabe que escrevo essas linhas para eles, também. Eles me disseram que o nosso blog assume um papel muito importante na formação, na informação e no intercâmbio entre os educadores de todo o estado. Não posso deixar de reconhecer essa realidade, mas, acrescento sempre que isso se deve a esta forma instantânea e interativa de se comunicar. Cada um aqui traz um pedaço de si, do que vê e do que sente, compartilhando com os colegas o que sabe, o que pensa. Esse diálogo horizontal, no qual o blog se torna um espaço virtual para a sua materialização, tem sido muito importante para a nossa luta. Claro que existem outros espaços na Internet e fora da rede virtual que merecem o nosso respeito e que produzem igualmente um ótimo trabalho. Na prática, ocorre a construção uma rede de intercâmbio, de diálogo e de ação.


Como o governo não apresentou nenhuma proposta, como se esperava, os educadores ergueram os braços em conjunto para manter a paralisação por tempo indeterminado. Ninguém quer voltar para a sala de aula sem o piso e sem a manutenção da carreira ameaçada pelo subsídio.


O governo de Minas insiste em desconhecer essa realidade e tenta reduzir o problema, atacando o sindicato e o valor do piso de R$ 1.597,00. Embora o nosso blog tenha alertado para este risco anteriormente, não resta dúvida que este dado não é pretexto para o governo não pagar o piso. Até porque ele é contraditório: diz que reconhece o piso proporcional do MEC, mas ao mesmo tempo se recusa a pagar este piso no antigo sistema remuneratório em vigor. Diz que já paga o piso através do subsídio. Ainda que fosse verdadeira essa afirmação do governo, caberia a algum repórter mais independente perguntar ao governo:


- Tudo bem, vocês dizem que pagam o piso através do subsídio. Mas, e o pessoal que não está no subsídio, que já são mais de 85 mil educadores? O que vocês vão fazer com eles? Vão escondê-los debaixo do tapete? É muita gente para esconder, não acham?


Mas, governos com características despóticas não são muito afeitos à coerência entre o que dizem e o que fazem. Por isso, o governo traçou a sua estratégia e tenta vendê-la através da mídia, não importando se o tempo todo apareçam elementos que destroem, desmentem e desnudam essa estratégia. Como foi o caso dos contracheques que provaram que os vencimentos básicos dos educadores de Minas estão muito aquém do piso salarial, mesmo o proporcional do MEC.


Durante a assembleia, uma pessoa me informou que teve contato com o deputado federal Padre João, que tem sido cobrado pela declaração que deu da tribuna da Câmara dos Deputados, quando afirmou que o acórdão do STF seria publicado no dia 1º de agosto. De acordo com a informação que me foi trazida, o deputado agora disse que um ministro do STF ( que ninguém sabe quem) estaria segurando o acórdão. Talvez a pedido de governadores, como o de Minas. O que, para mim, a se confirmar tal informação, coloca o nome do STF muito próximo do bueiro que atravessamos numa altura da passeata, exalando um ar fétido insuportável. Ora, se a matéria da ADI 4167 já foi votada e a ata publicada, não há que se falar em nenhuma forma de enrolação.


Aliás, essa questão do piso dos educadores mostra, põe a nu, o quanto toda a nossa elite - com raríiiiiisimas exceções -, é composta por cínicos, hipócritas e canalhas. Governantes das três esferas, judicários das três intâncias, legislativos dos três níveis de poder, mídias e TCEs, todos, se juntam para ferrar os educadores. Tudo para evitar a aplicação de uma lei federal que se dizia ter sido votada para valorizar os educadores e que agora, governante nenhum quer cumpri-la.


Estou percebendo, pessoal da luta, que, passada esta fase da luta regional pelo piso, vamos ter que nos voltar com toda a força para um cenário mais amplo, nacional. Não vai dar para dependermos nos próximos anos desses governos regionais que não cumprem as leis, e fica tudo por isso mesmo. Temos que exigir a federalização da folha do pagamento dos educadores do ensino público, a criação de um plano nacional de carreira, com jornada de trabalho única, salários dignos, e a transferência das receitas do FUNDEB para um fundo nacional gerido pela União, que ficaria incumbida de complementar o que fosse necessário para pagar os salários dos educadores.


Mas, claro que esta luta será travada após o desfecho da nossa greve em Minas Gerais - e também após a greve de colegas de outros estados. Aqui em Minas, Anastasia terá que pagar o nosso piso, além de devolver o que nos tirou em julho.


Contudo, eu não tenho dúvida que, enquanto os nossos salários estiverem vinculados aos orçamentos estaduais ou municipais, correremos riscos. Eles, os governadores e prefeitos, sempre alegarão que já atingiram os tais limites prudenciais da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ou que não têm caixa. Tentarão confiscar conquistas e descaracterizar nossos planos de carreira. Mesmo que não façam agora, no calor da nossa luta, vão tentar fazê-lo mais tarde.


Uma das armas dos estrategistas neoliberais é dividir a categoria para depois detoná-la com mais facilidade. Fizeram isso em 2003 - lembram-se? -, quando tiraram os biênios e quinquênios dos novatos. E agora, com o subsídio, tentam fazer a mesma coisa. Os novos concursados e os designados já seriam obrigados a ficar no subsídio. Com o passar do tempo, eles se tornam maioria e assim o governo destrói o antigo sistema remuneratório.


Por isso que volto à carga: nossa luta agora é pelo pagamento do piso, que é nosso direito. Mas, em seguida, não podemos cruzar os braços. Devemos nos colocar de corpo e alma pela federalização da folha de pagamento dos educadores. Já imaginaram se, no lugar de lutas isoladas em cada município e estado travarmos uma paralisação nacional por reajuste salarial? Que força teria o nosso movimento? Três milhões de educadores de todo o Brasil com bandeiras de luta comuns, a arrastar a comunidade para uma luta aberta contra o governo e o congresso, para que aprovem uma carreira decente e um piso salarial com um valor digno, pelo menos próximo do DIEESE (R$ 2.300,00) para o profissional com ensino médio, para uma jornada de 30 horas, um terço da qual extraclasse, e a diferença entre os níveis de escolaridade pelo percentual de 25%? E os educadores podendo pedir remanejamento para qualquer cidade do Brasil (desde que haja vaga)?


Enfim, temos tudo a ganhar com a federalização e nos livrarmos desses governos regionais medíocres e sem compromisso com o social. Mas, volto dizer: este é um projeto para depois da conquista imediata do nosso piso aqui em Minas. Não abrimos mão de receber o piso que a lei federal manda pagar. Mas, ao mesmo tempo, como não vivemos só do agora, devemos enxergar o amanhã com novos horizontes.


Enquanto caminhamos pelas ruas de BH em passeata, ao lado de milhares de combativos e combativas educadores / educadoras, vou pensando nessas coisas. A luta pela educação de qualidade é uma necessidade vital para as famílias de baixa renda - a maioria dos brasileiros. E esta luta passa, necessariamente, pela valorização dos educadores. Com salários dignos, com políticas sérias de formação continuada, com tempo extraclasse adequado, com mais investimentos em educação, enfim.


Quando olhamos a propaganda do governo nesses dias, nos damos conta de como a Educação é objeto de exploração política e de total descaso. O governo se vangloria de pagar o valor ridículo de R$ 1.122,00 de salário para professores. E depois é desmentido pelos contracheques dos professores, que provam que nem este valor é pago aos professores com curso superior. E ao lado disso, lembramos que o governo vive anunciando aumentos na arrecadação, investimentos em obras faraônicas, como estádios de futebol e cidades administrativas. Um total contraste, a revelar o quanto aquilo que é voltado para as filhos das famílias de baixa renda é desvalorizado, enquanto as receitas são carreadas para os bolsos de poucas e abastadas famílias.


Finalmente, é sempre bom lembrar que todas essas coisas são reveladas e discutidas em Minas e no Brasil graças à nossa greve, que se torna assim uma escola pública de cidadania. Devíamos receber em dobro durante a greve, pois as nossas aulas de cidadania superam em muito as aulas do dia-a-dia de qualquer escola, por mais que apresentem ótimos conteúdos.


O governo sabe que essa greve representa um desgaste para ele. E atinge até mesmo o projeto político do faraó, razão de ser deste governo. Atinge também o governo federal, que permanece omisso e demonstra covardia, quando assiste ao massacre de educadores de várias cidades e estados sem nada fazer. Onde está discurso da candidata Dilma Roussef, que prometeu investir na valorização dos educadores? Será que, tal como os outros partidos, o discurso da candidata do PT era só papo?


Diante de todo esse quadro, a permanência da nossa greve se impõe. E o governo e sua mídia que se justifiquem perante a comunidade, pelo fato dos alunos estarem sem aulas, por conta do não pagamento de um piso salarial ridículo, que é lei federal, e assim mesmo não é cumprido.


Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória! 

Retirado do blog: http://sindutejf.blogspot.com

terça-feira, 2 de agosto de 2011

PROFESSOR MOSTRA CONTRACHEQUE E DESMASCARA ANASTASIA!

Com um gesto corajoso, o professor da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais Euler Conrado, exibiu seu contracheque na mídia e desmascarou as mentiras que o governador de Minas Antonio Anastasia está veiculando na imprensa. O desgovernador do estado alega que já paga o piso nacional profissional do magisterio e nós da CSP-Conlutas gritamos bem alto: É MENTIRA! Pois como está demonstrado acima, o valor do vencimento básico do magistério com curso superior é de míseros R$567,04 bem ABAIXO do valor estipulado pelo MEC que é de R$ 1.118,00 para uma jornada de 40 horas com formação de ensino médio, a nossa reivindicação é de um piso de R$ 1597,87, os cálculos feitos pelo MEC e divulgado pelo governo Anastasia, estão errados, já que não considera o ano de 2008. E pior, o mesmo teve juntamente com milhares de trabalhadores em educação em greve por toda Minas Gerais o ponto cortado de forma arbitrária e ilegal!

Por isso nós da CSP-Conlutas e do Movimento Educação em Luta convocamos os bravos lutadores por uma educação de qualidade a comparecerem na próxima assembleia da categoria dia 03 de Agosto, 14 horas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

R$ 1597, 87 JÁ, PARA UMA JORNADA DE 24 HORAS. RUMO AO PISO DO DIEESE PARA 20HORAS
RECONSTRUÇÃO DE NOSSA CARREIRA.
REVOGAÇÃO DA LEI DO SUBSIDIO.
10 5 DO PIB JÁ

TODOS A ASSEMBLEIA DO DIA 03 DE AGOSTO.

SÓ A LUTA GARANTE A VITÓRIA!
FONTE: BLOG
http://csp-conlutasmg.blogspot.com/2011/08/professor-mostra-contracheque-e.html